O dilema de Neto
ACM, o Neto, como costumava chamá-lo o candidato Hilton Coelho no primeiro turno das eleições municipais, vive o dilema de como posicionar-se nesse segundo turno. A maioria dos seus eleitores deve pensar que por questões ideológicas o candidato deveria apoiar João Henrique. Ora, há um bom tempo que política no Brasil deixou de ser questão ideológica (nessas eleições houve até candidato do DEM apoiando candidato do PC do B) e, no caso de ACM Neto, trata-se de afirmação e sobrevivência políticas.
Tanto quanto João Henrique e Geddel Vieira Lima, ele não almeja a Prefeitura de Salvador. Almeja, em termos de Bahia, o governo do estado. E é aí que a situação se conturba: como abrigar em uma só frente três candidatos que anseiam por estar no mesmo cargo? Uma composição entre João Henrique e Geddel até seria possível, acertando-se uma alternância entre as duas candidaturas, porém, mais um nessa composição, seria excessivo. O ex-prefeiturável do DEM sabe disso. Sabe que aliando-se ao PMDB terá muitas dificuldades para uma afirmação política, poderá se tornar mais um comandado de Vieira Lima.
Aliar-se ao PT não é menos complicado. Há diferenças de discursos e uma quase (quase, porque em termos de política tudo é relativo) impossibilidade de convivência com alguns políticos da aliança, ora comandada por Wálter Pinheiro, com o neto de ACM, já que os carlistas boicotaram administrações oposicionistas na prefeitura e no governo do estado.
A terceira opção seria, como fizeram outros candidatos em outras capitais, ficar neutro. Uma posição também arriscada para quem quer afirmar-se como um líder. Os eleitores do DEM vão sentir um certo abandono, falta de direção, ausência de firmeza - e liderança exige firmeza. Uma ausência fora da Bahia, fora da administração municipal, circunscrita ao plano federal, poderá também construir barreiras no objetivo de Neto em ocupar o Palácio de Ondina.
Essa política de alianças, permitida pela legislação eleitoral, é uma verdadeira aberração que tem levado a uma perda de identidade dos partidos e a uma completa confusão, na hora do voto, para o eleitor. Mas se está dentro da lei... No caso de Salvador, a sua viabilidade acabou por criar um problema a mais para o candidato do DEM. E o deputado, se ainda não sabia, deve ter descoberto que política vai muito além de levantar-se questões de ordem em reuniões de comissões na Câmara Federal, apresentar-se sob holofotes de emissoras de televisão e fazer discursos oposicionistas contundentes. Política é um jogo de xadrez, quando se erra: xeque-mate.

1 Comentários:
Bom, para não entrar nesta questão que já discutimos bastante e correr o risco de me tornar repetitivo, vou apenas parabenizar a iniciativa do blog, e a qualidade dos textos - coisa cada vez mais rara hoje em dia, principalmente na internet.
Sucesso!
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