Alianças formadas
As alianças já estão quase concluídas para o segundo turno. Deu-se o óbvio entre os partidos de maior expressão: PSDB com Pinheiro, DEM com João Henrique. O interessante foi assistir às entrevistas dos dois candidatos sobre os apoios recebidos, e a garantia de que não haveria, em troca, cargos na administração. Lamentável que um candidato, Neto, que passou a campanha inteira do primeiro turno dizendo que era preciso acabar-se com o "toma lá da cá da política" corrobore com essa afirmação. Na política brasileira atual, às vezes nem voto em plenário é dado de graça. Os dois candidatos poderiam ter passado sem essa garantia, me parece que ela só faz aumentar no eleitor a descrença na honestidade dos políticos e no respeito àqueles que votam, e a vontade de votar-se nulo ou em branco. O que vai caracterizar esse segundo turno é que, pela primeira vez em Salvador, vão estar no mesmo palanque partidos e políticos que sempre foram ferrenhos adversários. O PSDB, implacável opositor do governo Lula, vai estar ao lado de Pinheiro. Geddel Vieira Lima, adversário de ACM, o avô, (parodiando, mais uma vez, o candidato do PSOL), vai estar no mesmo palanque do neto. As chances de haver uma harmonia entre PSDB e PT, na Bahia, me parecem bem maiores do que na outra coligação, onde vai ser difícil saber quem será o cacique (até então, era Vieira Lima).
No momento dessa postagem, o PSOL não havia se pronunciado, mas, em homenagem ao meu amigo Cainã, pessoa de cabeça antenada e arejada, primeiro colaborador com comentários deste blog, ao qual desejou sucesso, vou falar sobre o desempenho do partido nessas eleições. O entusiasmo de Cainã (que não é, ainda, eleitor do PSOL) com ao partido comandado por Heloísa Helena é o mesmo que tínhamos em relação ao PT e Lula.
Lula deu ao Brasil o direito de sonhar. Cainã ainda sonha. Mas o Brasil só elegeu Lula quando ele era bem menos Lula, bem menos aguerrido, menos revolucionário, mais palatável. O PSOL fez excelente figura nessas eleições, lançou candidatos em várias capitais do Brasil. Não logrou muito sucesso nas urnas, mas elegeu a vereadora Heloísa Helena, fonte inspiradora do partido, que volta a uma câmara de vereadores depois de freqüentar os corredores do senado.
Para Cainã, o PSOL ainda é uma esquerda com um discurso do passado. Não é fácil saber-se qual é o socialismo do futuro. Será algo como a China? Quando Lula perdeu para Collor, era por que boa parte do Brasil pensava da mesma forma: o discurso de Lula era radical, ultrapassado. E aí está Lula, um campeão de popularidade, mas cujas mudanças sociais, a continuar nesse ritmo, só vão levar esta nação aos nível dos países desenvolvidos em 30 anos. Ou o PT, como diz a propaganda do governo Wagner, acelera, ou o Brasil, cujas regiões norte e nordeste já abriram caminho para um crescimento muito representativo de outros partidos de esquerda, ou de centro-esquerda, como o PSB, PPS, PC do B, escolhe outro caminho. Por que eu (como já faz Cainã) e milhões de brasileiros queremos voltar a sonhar.

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