Você já foi ao Pelô? Não? Então vá!
Passei alguns anos sem ir ao Pelourinho, a falta de segurança naquele lugar me assustava e achava o projeto do governo, que restaurou aquele conjunto arquitetônico, completamente equivocado. Privilegiou-se prédios em detrimentos de pessoas. O turista, mesmo com o Pelourinho em declínio antes da restauração, ia lá por que transbordava cultura. O governo tirou do local a população que produzia a cultura (e a marginalidade, também, é verdade); espalhou a marginalidade, que estava concentrada em um só local, por toda a cidade, e destruiu a genuína cultura local.
Fez do Pelourinho um shopping center a céu aberto, com muitas lojas franqueadas e restaurantes, muitos de comida internacional. No início, com um policiamento ostensivo, visitava-se o local porque era uma grande festa. Tudo muito iluminado, shows acontecendo, prédios bonitos com pintura ainda brilhando. Depois, o policiamento foi diminuindo, as pessoas não iam sair de seus bairros para comprar perfume e sandálias no Pelourinho, se podiam encontrá-los em um shopping, na avenida sete, ou mesmo em alguma loja de bairro. Muito menos para almoçar ou jantar em restaurantes que tinham filiais em locais mais centrais. E a festa entrou em decadência.
A convite de um artista plástica, que tem um atelier no local, voltei lá. E fiquei triste ao ver o local tão sem movimento. Olhar aqueles prédios, aquelas ruas, tão desabitados, foi uma experiência ruim. Mas, por insistência dessa artista plástica, voltei outras vezes e comecei a olhar com mais cuidado as lojas, os bares, os restaurantes, cada atelier de artista e percebi que, apesar da falta de movimento, o Pelourinho está voltando a ser o Pelô.
O que se vende agora tem a marca da Bahia. Não é mais produto de franquias. A arte que está lá exposta fala do nosso povo, dos nossos costumes. Voltaram os botecos ao local. Sem querer fazer propaganda oficial, mas já fazendo, o atual governo reativou o Solar do Ferrão, criou projetos de dança e teatro, e uma praça para as crianças brincarem. Bem, o governo tinha que fazer alguma coisa já que, apesar de ser outro, foi o governo quem errou no projeto de recuperação. Mas a comunidade do Pelô não devia esperar pelos governantes.
Devia se unir, divulgar novamente o local, mostrar que a cultura, a arte, genuinamente baianas, voltaram a habitar os seus casarios. Organizar-se para garantir que as pessoas circulem em segurança no local. Chega de ficar esperando que os poderes constituidos façam alguma coisa. A união de uma cultura como a baiana e aquele conjunto arquitetônico não se encontra em lugar nenhum do mundo.

1 Comentários:
No início do ano, Márcio Meirelles, atual Secretário da Cultura da Bahia, declarou em entrevista que era um absurdo o que se fazia com o Pelourinho, pois o Pelourinho era um bairro residencial como Graça, Itaigara, etc, e que por isso, não se deveriam ter shows e apresentações no local.
Parece piada, mas é isso mesmo que você leu. Não sei de onde ele tirou isso, mas enfim, o Pelourinho ficou entregue as moscas.
Agora que se resolveu retirar o Pelourinho da lista de patrimônio da humanidade, a coisa melhorou.
Já começou a haver uma movimentação maior por lá, o secretário já finge que nunca disse a burrice que disse, vemos outdoors pela cidade fazendo a maior divulgação do Pelourinho com nosso dinheiro, e por aí vai.
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