O futebol no museu
Numa iniciativa elogiável inaugurou-se em São Paulo (sempre lá...) o Museu do Futebol - com algumas décadas de atraso, diga-se de passagem. Parece sintomático que a inauguração tenha acontecido agora. O futebol brasileiro, que durante décadas encantou o mundo, tornou-se em 2002, quando conquistou o pentacampeonato mundial, quase hegemônico, uma unanimidade mundial.
Seus atletas passaram a encabeçar as listas anuais de melhor jogador do mundo (melhor jogador que atua na Europa, na verdade), a equipe canarinho conquistou quase todos os torneios internacionais (à exceção do ouro olímpico, torneio que não é disputado pela equipe principal). Mas, como desde a nossa colonização sempre entregamos as nossas riquezas, com o futebol não haveria de ser diferente.
Os números das emissoras de televisão já demonstram uma queda na audiência. É certo que não há telespectador que agüente tanto jogo na TV, porém seria impensável, anos atrás, que em disputa de eliminatórias para a Copa do Mundo (Brasil X Bolívia) se houvesse uma platéia tão moderada, mesmo com o preço salgado dos ingressos.
O futebol brasileiro está deixando de ter magia, de ser arte. Aqui só está ficando o rebotalho. Falo dos estreantes, não dos jogadores já consagrados, como Marcus e Rogério Ceni, que não aderiram à debandada geral. Um jogador aos 18, 19 anos, que se destaque em algum clube (e nem precisa ser dos grandes) logo é comprado por algum time estrangeiro. E aí deixa de ser jogador brasileiro, passa a jogar o futebol estrangeiro. Não faz mais aquelas jogadas malandras, não dá mais aqueles toques sutis, dribles inesperados que encantavam os estádios de todo o mundo e conferiam ao nosso esporte um selo único de qualidade (talvez Ronaldinho Gaúcho tenha sido o último descendente da linhagem de Pelé, Garrincha, Romário, Zico...)
Os jogadores e técnicos se tornaram milionários, dirigentes dos clubes ganharam muito dinheiro, os empresários dos atletas também, porém muitos estádios estão parados no tempo, alguns até abandonados. O futebol brasileiro, da forma que é administrado, gerou riqueza apenas para uma pequena parcela dos que transitam no esporte, não contribuiu para melhorar a vida em nosso país. E agora estamos entregando o "ouro ao bandido". A Escócia não entrega o seu uísque, a França o champagne, nós, brasileiros, estamos fazendo do nosso melhor produto peça de museu.

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