Para aposentados, não tem dinheiro.
Quando oposição, o Partido dos Trabalhadores era um fiel defensor do direito dos aposentados. Estava sempre contra qualquer mudança nas regras da aposentadoria. Quando governo, mudou totalmente o discurso e uma das primeiras medidas tomadas pelo presidente Lula foi aprovar um projeto encampado por FHC, contra o qual o próprio PT lutou. É verdade que muitos congressistas petistas foram contra o projeto, alguns, como Heloísa Helena e Luciana Genro, até deixaram o partido por terem sido obrigadas a votar a favor da proposta do governo, que acabou sendo aprovada.
Calcula-se que, devido aos baixos reajustes das aposentadorias nos últimos anos, elas já perderam 40% do seu poder aquisitivo. Há algum tempo, petistas, tucanos e até democratas tentam fazer com que senado e câmara aprovem o atrelamento do reajuste da aposentadoria ao reajuste do mínimo. Novamente a proposta está sendo apresentada, aliás por um senador petista negro, do Rio Grande do Sul, Paulo Paim. Se essa fosse uma democracia progressista, em tempos de sucesso de candidato negro, ele seria um ótimo candidato à sucessão de Lula.
O governo já começou a espernear contra a idéia e é bem provável que até a câmara a aprove, para deixar com Lula o ônus de rejeitá-la. O fato é que a forma como o governo trata os aposentados é de uma vergonha total. Há muito aposentado caindo em garras de bancos inescrupulosos, principalmente do próprio governo, que lhes empurra empréstimos consignados (alguns que não vão sequer parar na conta do aposentado, mas no próprio bolso do gerente), por não ter outra forma de sobreviver.
Se há dinheiro de governo para emprestar a exportadores que lucraram exorbitâncias nos últimos anos (mas que aproveitam esse tal crise para tirar uma lasquinha do governo), para diminuir compulsórios de banco, para emprestar até a montadoras multinacionais de carros, que vinham batendo sucessivos récordes de vendas, como não há dinheiro para se dar um reajuste digno aos aposentados?
Já que eles não podem fazer greve, nem podem ameaçar o governo com chantagens de que não vão mais poder exportar se o governo não lhes der generosos empréstimos, têm que partir para uma solução negociação (ou para uma "humilhação" negociada). Eu não sei você, leitor, mas eu, apesar do descalabro que foi Lula aprovar uma alteração proposta por FHC na aposentadoria logo nos primeiros meses do primeiro mandato, tenho muitas saudades de Lula.
Daquele Lula que não emprestava dinheiro público, de um povo sofrido, que trabalha cinco meses do ano para pagar impostos, a empresários que pagam salários, muitas vezes, aviltantes. Lembro-me que FHC viva dando dinheiro para empresas aéreas, bancos, emissoras de comunicação. O PT esperneava contra tudo isso. E, já no governo, o próprio Lula negou empréstimos a empresas de mídia e, com isso, elevou a ira desses empresários que nunca engoliram um torneiro mecânico na presidência.
Agora o governo distribui dinheiro a rodo para empresários. A desculpa é a crise econômica. Ora, se querem fazer um "proer" da crise, pelo menos respeitem os aposentados! Por que não é possível que com a saúde à beira de um colapso, a educação reduzida a baixos indíces, o caos nos transportes nas grandes metrópoles, os beneficiados sejam, mais uma vez, quem já tem tanto...!
E eu que ainda me lembro de Lula, na primeira campanha desse seu longo mandato presidencial, dizendo que desde os tempos do descobrimento do Brasil só se governava para os mesmos - os ricos. Também, quem manda ainda se ter memória?

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