terça-feira, 28 de outubro de 2008

Projeto maior, projeto menor

Tenho encontrado muitas pessoas desesperançosas e desapontadas com a derrota de Pinheiro nas urnas. A maioria aponta como responsável o publicitário da campanha, que parecia até estar trabalhando para o adversário. Ora, ele não é realmente o culpado. Como alguém poderia fazer uma campanha contra o atual prefeito sem mostrar as mazelas deixadas por ele em Salvador, que insistia em dar dados expressivos da melhoria da qualidade de vida na cidade que, como todos nós sabemos, é uma das mais pobres do Brasil?
Para ganhar de JH, Pinheiro teria que expor o governo Wagner (que em nada melhorou a vida dos soteropolitanos) e o governo Lula que, apesar da grande popularidade também pouco contribuiu para isso, e, ainda assim, arriscar-se a não conseguir convencer a população de que era a melhor opção, deixando feridas nas duas esferas de governo que o "apoiavam".
É, o candidato tentou fazer uma campanha apenas propositiva, e não realista. Salvador não é um canteiro de obras, é um canteiro de buracos, de miséria, de mazelas. Passar ao largo das questões cruciais da cidade não levaria eleitor algum a convencer-se em uma mudança. Talvez o candidato soubesse disso, mas, para que arriscar o projeto Dilma 2010, ou Wagner 2010, por um projeto menor, Salvador 2008?
Pinheiro tem vaga quase garantida na câmara federal nas próximas eleições. Para o candidato, nada mudou. Pena que para nós também.

Uma observação final: o mais deselegante nesta campanha foi o desembarque de Lula em Salvador, que não pisou os pés por aqui durante toda a campanha do seu correligionário, um dia apenas depois da derrota. O compromisso já estava agendado, mas foi de uma deselegância total com o candidato, e uma desconsideração ainda maior com a cidade de Salvador que sempre lhe deu vitórias expressivas.

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