Dois continentes
Estive em bairros periféricos da cidade, lugares como Narandiba nos quais há muito tempo não ia. Fiquei horrorizada. A Salvador dos meus tempos de criança, de adolescência, não existe mais. O que existe é um centro da cidade, completamente maquiado, cercado por uma periferia totalmente abandonada. Salvador virou mesmo algo do qual já suspeitava: uma imensa favela.
Nos bairros periféricos a população se amontoa, sem áreas de lazer, sem áreas verdes, agências bancárias, geração de emprego, com uma economia completamente destruída. Não, não são duas Salvador - uma dos pobres, outra dos ricos. Não são sequer dois países; são dois continentes dentro de uma mesma cidade.
No centro, a população se queixa da violência, mas ignora, vira a cara para a periferia, nem sabe que existem bairros tão abandonados, afinal nunca passaram por lá. E prá que passar? É a periferia que tem que vir para o centro, conseguir dinheiro, nem que seja roubando, matando, assaltando. Afinal, o que lhe resta a fazer? Ficar em seus bairros é condenar-se à morte, então tem que atravessar a imensa fronteira que separa esses dois continentes.
Tive pena de mim, tive pena da minha família, tive pena dos meus amigos, tão iludidos...Mas tive pena, principalmente, daquela população sufocada naqueles lugares. Sonhamos com um país novo, uma cidade nova, um novo estado. Sonhávamos com a Europa; conseguimos a África.

1 Comentários:
Existe sim, este país onde quase tudo é perfeito e imune a uma crise financeira mundial, pelo menos na imaginação e falácia de nosso presidente, o presidente do povo.
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