Lula e as eleições
O resultado das eleições nesse segundo turno evidenciou o distanciamento do projeto político de Lula e o seu próprio partido. Lula, praticamente, abandonou os seus aliados, e abraçou o PMDB e o PSDB. Apoiou Eduardo Paes, crítico feroz do governo no episódio do mensalão, contra Gabeira, também crítico do seu governo, mas um aliado histórico do PT, de quem já foi filiado. Em Porto Alegre, não abraçou a campanha de Maria do Rosário, do PT, contra José Fogaça, do PMDB. Aliás, apenas em Belo Horizonte contrapôs-se ao PMDB, aliando-se ao governador Aécio Neves (do PSDB),
em apoio a Lacerda (PSB).
Em Salvador, deixou Walter Pinheiro, fundador do PT, aliado de várias décadas, a ver navios, permitindo que o ministro Geddel Vieria Lima comandasse o circo. Somente Marta Suplicy, do seu partido, por questões político-econômicas, é que contou com um apoio mais evidente de Lula.
A forma como se posicionou, não só nesse segundo turno, mas em todas as eleições (largando à própria sorte também a candidata do PT em Fortaleza, Luiziane Lins, eleita no primeiro turno, para não contrariar outra candidata, Patrícia Saboya) demonstrou o que há algum tempo já se ouve nas ruas: não existe (ao menos para o presidente) mais petismo, o que existe é lulismo, e o seu projeto presidência-2010, com Dilma Roussef.
Para isso, o presidente, praticamente, entregou o seu partido ao PMDB, e os aliados petistas aos leões. Quando me lembro que quando prefeita eleita pelo PSDB, Lídice da Mata, por razões ideológicas, preferiu apoiar Lula na disputa à presidência contra Fernando Henrique Cardoso, que era do seu mesmo partido, e por isso foi boicotada por ACM (que apoiou FHC) no envio de verbas federais, chega a me dar calafrios. Lídice era a vice de Pinheiro, nem ela teve a gratidão do presidente.
É lamentável dizer, mas, com os desvios de destino do PT (o único dos partidos ideológicos brasileiros com grande representação) não existe mais nenhum partido com projeto de governo, o que existe são partidos com projeto de poder. E o povo? Ora, o povo só serve mesmo para ir às urnas votar.

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial