O caos da cidade
Passei hoje, domingo, a tarde no Hospital Aliança, visitando uma sobrinha acometida de um probleminha respiratório. Tanto se falou, nessa campanha para a prefeitura de Salvador, do caos na saúde, mas só na saúde pública. Nenhum, nenhum dos candidatos, talvez por não querer parecer elitista, pois todos sabiam que quem definiria o pleito seriam os eleitores de baixa renda, estendeu o problema para toda a saúde na cidade (que deve ser igual em todo o estado).
A saúde em Salvador é um caos não apenas para aqueles que dependem dos serviços públicos; mesmo para os que têm caríssimos planos de saúde e podem bancar um hospital particular, os serviços estão, cada dia mais, estrangulados. A minha sobrinha, por exemplo, precisou ficar quase dois dias no setor de emergência, com a mãe dormindo numa cadeira, porque o Aliança não dispunha de quarto para acomodá-la.
Um amigo levou cerca de 15 dias para conseguir vaga em hospital da rede particular para internar a sua mulher para uma cirurgia na boca. Esses, casos recentes que me chegaram aos ouvidos, imagine o que existe mais por aí. Por que isso vem acontecendo? Por que não se constróem mais hospitais em Salvador, em lugar de condomínios de luxo? Por que os que já existem não ampliam as suas acomodações? Bem, isso é matéria que deveria estar nos jornais da cidade.
O fato é que a capital baiana vive momentos de horror não só na saúde. Mas em relação ao meio-ambiente, com escorpiões e besouros revoltando-se contra o desmatamento e invadindo os condomínios fechados (fechados?); com déficit habitacional seríssimo; com um desemprego avassalador (uma amiga, secretária, com muito custo conseguiu criar dois filhos e lhes encaminhou no sentido de cursarem uma universidade para conseguir um bom emprego; os dois se formaram, os dois têm na faixa de 20 anos, os dois estão desempregados); com um transporte urbano de péssima qualidade e uma violência incontrolável.
Por que esses problemas foram debatidos pelos candidatos sem a menor profundidade, sem conhecimento de causa? É que política no Brasil deixou de ser atividade para ser profissão. O político começa como vereador e aí vai deslanchando a sua carreira e perdendo, completamente, o contato com o cotidiano da cidade. Usa a sua influência de parlamentar para conseguir o que necessita para si e para os seus. O "cidadão comum" que se debata em hospitais públicos ou privados, que gaste as suas noites fazendo curriculum para seus filhos enviarem sem sucesso a empresas, que sofra no trânsito (pois eles têm motoristas e ar-condicionado nos carros para aliviar-lhes o trajeto).
É preciso limitar-se o número de vezes que um candidato pode disputar, e ocupar, um cargo eletivo. É preciso acabar-se com a aposentadoria de governadores, prefeitos e legisladores, enquanto ocupantes desses cargos. Mas, como isso se fará? Se são os membros do legislativo quem legislam em causa própria. Ao que se nota, eles só fazem, a cada dia, aumentar o volume de suas regalias, e protagonizam espetáculos patéticos quando se trata de discutir a real demanda da sociedade. Por quanto tempo será que a sociedade vai se contentar em apenas assistir?

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