quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Colocaram água no chope de Lula

Não, não é nenhuma referência àquela história de que Lula gosta de tomar uns golinhos. Por que quem não gosta de um bom vinho, um chope gelado, até de uma cachaça bem brasileira? Falo é da economia mesmo. Desde que assumiu a presidência que Luís Inácio é só sorrisos. O Brasil comemorava bons índices na balança comercial, no aumento de emprego, no acúmulo de reservas; a moeda se valorizava e o governo conseguia manter o superávit primário para pagar a dívida externa (só uma notícia foi dada, como um rodapé de página, o número de favelas aumentou).
Como se diz: quanto maior a altura, maior a queda. Lula e a sua equipe demonstraram que sabem governar quando a maré está boa, quando começa a turbulência... Pelo visto ninguém avisou ao presidente, nem Henrique Meirelles (indicação para o Banco Central que a ex-petista, Heloísa Helena, tanto repudiou - será que tinha razão?) que o dólar não ia valer menos que o real. Era o que quase estava começando a acontecer. Deviam ter avisado ao presidente que a situação da moeda estrangeira, naquele nível, era insustentável (apesar do crescimento dos últimos anos, não se pode comparar a economia dos EUA, mesmo em crise, com a do Brasil), algum acidente de percurso iria acontecer.
Quando os problemas se iniciaram, no meio deste ano, Lula ainda era só sorrisos. E não é que ele, repentinamente, desapareceu dos noticiários. É figurinha fácil apenas nas reuniões internacionais para se resolver os caminhos da economia mundial.
Momento ruim para acontecer uma crise dessa dimensão. Logo agora que Luís Inácio arregaçou as mangas e lançou o PAC, Programa de Aceleração do Crescimento (seis anos depois de chegar à presidência, seis anos...). Se tudo tivesse continuado em absoluta serenidade, o PAC seria um sucesso, a economia estaria "bombando" e o PT (diga-se Lula) faria o sucessor.
Nunca é tarde para lembrar-se ao presidente: "Quando a esmola é demais, o santo desconfia". Fosse ele um pouco mais acelerado, já teria lançado o PAC bem antes; fosse ele um pouco mais prudente, não acharia que o dólar podia valer, excetuando-se por decreto, R$ 1,57, sem que um desastre acontecesse.
Apenas duas moedas se valorizaram frente à estadodinense, nessa crise, as moedas da China e do Japão (a libra, inglesa, continuou como sempre à frente do dólar).
Com a imprudência da sua equipe econômica, os últimos anos do governo Lula serão desafiadores. A Vale (era mais bonita quando se chamava Vale do Rio Doce) começou a demitir, as passagens aéreas começaram a subir, os pátios das montadoras estão abarrotados, a Petrobrás está pedindo empréstimos e o dólar não pára de subir.
Não há calmaria no Brasil. Aqui, há décadas, só se falava em crise, o governo Lula pôs o país para andar, a palavra crise praticamente desapareceu, e eis ela de volta, dessa vez em dimensão internacional.
É carma, diriam os budistas; é repetição, diriam os psicanalistas; é incompetência, diriam os economistas.

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