Que dólar que nada
A minha amiga Janaína, figura antenada e administradora de algumas lojas que vendem produtos de informática, está preocupada com a escalada do dólar. Tento convencê-la (huahuahua) a mudar de ramo, a vender produtos chineses - alguns vasos Ming, por exemplo. Há um bom tempo que me convenci de que nada é mais ilógico do que a economia, ainda mais quando as finanças americanas estão descendo pelo ralo e as pessoas estão comprando dólar! Continuando a falar sobre a minha amiga Janaína, os vasos Ming e a China, se ninguém notou, eu notei.
Os EUA lançaram pacote econômico, a Europa lançou pacote econômico, até o Brasil gastou suas reservas para reanimar a economia (ô ministro Guido, pare de esconder o jogo e abra logo esse cofrinho), mas as bolsas só começaram a se estabilizar quando a China lançou o seu pacote. Precisamente na primeira quinzena de novembro passado. Depois de passar meses caindo mais de 10%, o Ibovespa fechou o mês de novembro com uma leve queda de 1,7%.
Não gosto da China. Os chineses invadiram o Tibet e o mundo inteiro não saiu em protesto, como fez contra a invasão do Iraque. Porém há que se considerar que os chineses derrotaram os EUA, invencíveis há várias edições, nas olimpíadas/2008, e vão derrotá-los na economia. Foram os EUA que criaram essa economia tipo "fast-food", com produtos feitos para serem substituídos em pouco tempo.
Com esses produtos levaram a nocaute a Europa, que teve de se unir para não sucumbir. A culinária francesa é um luxo; a estadodinense, um lixo, mas foram os EUA que espalharam a sua culinária-lixo no mundo todo. Os produtos europeus, feitos com rigor, para ter qualidade (como os vinhos, o uísque, champagne, perfumes, relógios) e que custavam caro por isso, foram sendo substituídos pelos produtos feitos nos EUA, sem muito rigor e bem mais baratos.
Até que veio a China. Com produtos ainda mais baratos e sem qualquer preocupação com a qualidade. Ah, eles não inventaram o "fast-food" - souberam dar o troco. Afinal, o italianos também não inventaram o macarrão, foram os chineses, mas quem ganha dinheiro e leva a fama?
O consumidor atual não quer um sapato caro que dure 10 anos, ele quer dez pares de sapatos baratos que durem um ano. Porque, como diz o nome, o consumidor quer consumir, gastar, ter a impressão de que está satisfazendo o seu desejo. O incrível é que a China é comunista!
Pois os chineses são o "fast" do "fast-food" e com eles estão puxando a indústria do chamado Bric (Brasil, Rússia, China, Índia). Já comprou uma roupa indiana? Algum tempo atrás elas faziam muito sucesso entre os chamados "bichos-grilo", o pessoal meio "hippie", meio naturista. Experimente colocá-la na máquina de lavar. Ela sai pior do que um pano de chão. Mas o preço é pequenininho. Comprou recentemente um sapato brasileiro? Pois têm uns que já no terceiro mês perdem a sola. Leve-o ao sapateiro, vai ver que dentro de um salto plataforma há um buraco negro. Da Rússia não posso falar, a única coisa que já consumi daquele país, ao que eu saiba, foi a vodka. Eles andaram até vendendo carros para o Brasil, que vinham com um kit de mecânica, não deu muito certo.
Espero que não tenha que aprender a falar mandarim, nem puxar os meus olhos amendoados. Cabelo, tudo bem, o meu já é liso mesmo. Só acho que já deveria ter começado a comprar uns yuans.

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