quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

"Tô com preguiça..."

Cristiano tem um blog na internete. Um blog de crônicas. Cristiano escreve bem crônicas com crítica social. Não vai lhe faltar assunto. Em sua última crônica ele falou dos transtornos sofridos pelo consumidor quando precisam contactar uma companhia telefônica. O cidadão brasileiro não gosta de ler. Menos ainda quando se trata de textos que não sejam divertidos. As leis brasileiras formam um conjunto de textos chatos. O brasileiro não os lê e desconhece os seus direitos.
O código do consumidor é um texto chato, porém muito poético. É um conjunto de normas que nos fazem pensar na possibilidade um mundo melhor. Chega a causar consternação, de tão belas que são as suas normas. Nenhuma empresa as aplica, poucos consumidores vão à justiça reclamar (chegam até o Procon; como advogados são caros e a justiça, às vezes, muito lenta, não pedem indenização - porque não pedem, as companhais continuam os abusos).
O brasileiro queixa-se do governo, das empresas, leis, mídia. Só não se queixa de si mesmo. Os vigilantes de uma escola prenderam um sujeito que roubava celulares na rua. Entregaram o indíviduo à polícia. A escola começou a receber ligações de ameça "como poderia ser tão insensível entregando o pobre rapaz à polícia! Iam ligar para os direitos humanos!". Na hora em que o filho de algum desses indivíduos que ameaçam escolas é morto por bandido, aí vai aquela familharada para a televisão posar de vítima!
Ninguém é tão conivente com a depredação da nossa sociedade quanto o povo brasileiro. Se você reclama muito de alguma coisa é chamado de encrenqueiro, cri-cri. Vivemos uma cultura do "deixa pra lá", da total falta de responsabilidade social. O brasileiro é estrangeiro em seu próprio país, estado, cidade. Continua vivendo como Macunaíma, com preguiça para tomar atitudes. Outro dia uma aposentada queixava-se, no atendimento de um banco, do salário dos aposentados "ninguém olha para os aposentados". Sempre pensei que os aposentados é que deviam olhar para si próprios. Fácil culpar -se alguém, difícil é se ir à luta!

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