Altas bobagens
Acabei de assistir a uma parte do programa "Altas Horas", de Serginho Groissman. Só assisto a uma parte porque, como já disse em outro texto desse blog, o único programa da TV que consigo assistir integralmente é o CQC. Parei de ver o "Altas Horas" desta madrugada quando Serginho perguntou aos entrevistados qual havia sido o maior evento de 2008. Engraçado, o apresentador perguntou, mas antes que os entrevistados respondessem ele foi logo dizendo: "Para mim foi a eleição de Barack Obama".
Se ninguém sabe, havia sido pedida a concordata da Rede Globo nos EUA, pois a emissora devia a fundos de investimentos, a justiça estadodinense julgou a ação improcedente. Não é por acaso que a Rede Globo é o maior "cabo eleitoral" dos EUA. Serginho disse a opinião dele primeiro, para que os outros a seguissem. Não deu outra, um dos convidados, Wagner Moura, já foi dizendo a mesma coisa, aí o apresentador aproveitou para mudar a pergunta: "Como só vai dar Barack Obama, vou perguntar qual foi o maior acontecimento pessoal para os convidados em 2008". Faça-me rir.
Neste ano aconteceram fatos muito mais importantes do que a eleição de mais um presidente americano, que, por motivos mercadológicos, é um negro muçulmano. Se formos falar de importante para o mundo, a união dos países para debelar a crise provocada pelo país que Serginho teima em elogiar; as olimpíadas da China, quando o país-sede conseguiu, depois de várias edições, terminar com a supremacia dos EUA; a reunião de cúpula dos presidentes da América Central e do Sul, que pediu a reintegração de Cuba ao mercado mundial.
Se falarmos para o Brasil, as comemorações da chegada da corte portuguesa à Bahia, que definiu o futuro do país enquanto nação; a primeira medalha de ouro olímpica na natação e no atletismo feminino; o grau de investimento dado ao nosso país por instituições internacionais (infelizmente poucos meses antes da crise econômica mundial); o fato de não termos quebrado mais uma vez diante dos problemas internacionais.
Com tanto o que citar, Serginho, é claro, sob orientação da alta cúpula da Globo, citou Obama. Como somos colonizados e iludidos! A eleição de Obama é mais uma eleição de um presidente nos Estados Unidos. Um homem sozinho não muda a mentalidade de um povo. É preciso que esse povo também queira mudar. Mesmo que o novo presidente estadodinense traga novas idéias para o país, nada será como antes.
A liderança dos EUA frente ao mundo acabou-se no dia em que decidiram invadir o Iraque. É claro que ainda há muito adolescente iludido, que vai passear na Disney, assiste às produções cada dia mais patéticas do cinema americano, escreve frases em inglês em seus msns. Toda a barbárie promovida pelo EUA no Afeganistão e no Iraque, mesmo censurada pelas TVs (ontem, em tom de riso, a apresentadora do Jornal da Globo anunciava como "grande arma" a troca de viagra por informações de afegãos em relação às rotas dos talibãs) suplantaram a fantasia de super-herói criada para o Tio Sam.
Os EUA promoveram grandes mudanças no mundo, e galgaram, justamente, a posição em que durante décadas se encontraram. Promoveram grandes avanços na medicina - nas ciências em geral -; criaram um cinema diversão que encantou o mundo; não inventaram a democracia porém foram os seus maiores propagandistas; levaram o homem à lua. Ao lado de tudo isso, mataram milhares no Vietnã, em Cuba, apoiaram ditaduras sangrentas na América do Sul e América Central, e monopolizaram o cinema transformando-o em grande veículo de propaganda política.
Sim, a publicidade americana vai fazer de tudo para transformar Obama num grande líder, em mais um herói norte-americano. É ruim, hein? Assisti muito pouco da campanha eleitoral, mesmo assim, não vi uma só frase brilhante do candidato democrata, muito menos do republicano. Obama é como o último suspiro de uma ave, com asas quebradas, que teima em voar. Vai ser preciso muita propaganda, muita bandeirinha com estrelas e listras para colocá-lo de novo no topo. Melhor seria se os EUA reconhecessem a perda do trono e passassem o bastão adiante; insistir na posição de líder já se viu no que pode dar: uma grande recessão mundial, com milhares perdendo os seus empregos. O mundo precisa de novos ventos e eles não vêm da América do Norte.

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