quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Palco de respeito

O mundo precisa de hierarquia, autoridade e normas. A questão é como elas são exercidas. O Teatro Castro Alves viveu momentos muito difíceis. Era um local de absoluta anarquia. Os espetáculos nunca começavam no horário, fazia-se até show de rock dentro da casa, a platéia subia nas cadeiras, dançava, quando o espetáculo acabava estava quase tudo destruído.
Sem condições de funcionamento, ameaçado até de desabar sob a audiência, durante o governo Waldir Pires, o então secretário de Cultura, José Carlos Capinan, e o então diretor do TCA, Márcio Meirelles (atual secretário de cultura), resolveram fechá-lo. Foi uma decisão muito ruim para a cultura soteropolitana, que não tinha, àquela época, nenhum outro grande teatro. Mas o governo não tinha recursos para restaurá-lo; tentou-se uma parceria, sem sucesso, com a iniciativa privada.
Na volta de ACM ao governo da Bahia, o teatro foi reformado e reaberto. Sob outros moldes. Os espetáculos passaram a começar pontualmente no horário (os retardatários tinham que voltar para casa). Nenhum show dançante esteve mais em sua pauta. O TCA passou a ser uma casa de luxo, com apresentações caras, excetuando-se um ou outro projeto e exibições da OSBA, Orquestra da UFBA e Balé Teatro Castro Alves.
Essa noite fui ao Castro Alves assistir à apresentação da OSBA com Elomar. Não comprei o ingresso antes. Na avenida Sete havia um engarrafamento horrível, provocado pelo fechamento de uma rua e pela abertura da avenida até as 10 horas. Quando chegamos, às 20h20min (o espetáculo estava marcado para as 20 horas) achei que não iria entrar.
Engano. Uma moça muito simpática, disse-nos que, em virtude do engarrafamento, estavam liberando a entrada, mas teríamos que esperar um intervalo para sentar-se à sala. Quase não acreditei. Há uma flexibilização para a disciplina que não seja a baderna. Estava sem ingresso, meu amigo ainda tentou conseguir um convite, sem sucesso. Outras pessoas também estavam sem ingresso, não puderam entrar. As bilheterias estavam fechadas, a lotação estava esgotada.
Os que esperaram o intervalo, o fizeram com muita paciência. Os que não puderam entrar, por falta de ingresso, ainda pediram um "jeitinho". Aí, sim, já seria alguma baderna. Afinal, abrir um precedente desse poderia ser perigoso, fazer com que o TCA voltasse aos tempos de total desgoverno. Ninguém se aborreceu, ninguém tentou invadir o teatro à froça. São outros tempos. Interessante como se aprende a respeitar quando se é respeitado.

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