Dois ídolos e uma final
Tanto artista ruim no mercado e dois grandes cantores escondidos, cantando em barzinhos, dando um duro danado para sobreviver. A final de "Ídolos", o único programa decente para se escolher um novo cantor da música brasileira, foi um arraso! Os dois classificados, Rafael Bernardo e Rafael Barreto, fizeram um lindo espetáculo.
Não entendo como a mídia pode dar espaço a tanta gente ruim - Vanessa Camargo, Sandy&Júnior (felizmente separados), Kelly Key, Felipe Dylon e a uma infinidade de duplas sertanejas que fazem vergonha a sertanejos de valor como Sérgio Reis e Almir Sater. Enquanto a mídia brasileira estiver concentrada no Rio de Janeiro e em São Paulo é isso que vamos ver.
Com muita dificuldade, alguns artistas nordestinos, como Lenine e Zeca Baleiro, ou nortistas, como Calypso, conseguem cavar o seu espaço. A Bahia libertou-se da mídia nacional com a música axé. Até então, os artistas precisavam se mudar para o eixo Rio/São Paulo para acontecer na música brasileira. Podem virar o nariz para o axé, mas ele foi a nossa carta de alforria.
Barreto e Bernardo precisaram enfrentar uma fila de um dia, mas de 30 mil concorrentes, para mostrar que, aqui por cima, ainda tem gente muito boa escondida. Se as emissoras garimpassem o talento brasileiro não precisavam apresentar novelas como "A Favorita" e humorísticos como "Zorra Total". Quando soube que a série "Ó Paí, Ó", legítima criação baiana ia ser escrita por um gaúcho (Jorge Furtado, um diretor e roteirista muito talentoso, figurinha carimbada da Rede Globo que nem um dia viveu no Pelourinho), não me dei ao trabalho de assistir. E olhe que mesmo com esse equívoco, a série conseguiu bater a audiência de "A Favorita".
Os dois Rafaéis são os grandes guerreiros da música atual. Venceram as enormes filas da seleção, o preconceito, a maratona de várias semanas de programa e chegaram lá. Bernardo tem um gogó de ouro e canta com a voz e o coração. Barreto tem uma voz suave e uma ginga especial. É um cantor verdadeiramente pop (ainda que ninguém saiba direito o que é ser pop).
Chega de tanto grunhido, mãozinha pra lá e pra cá, pernas de fora, mais dança do que canto. Um dos dois vai vencer e pode estabelecer um novo parâmetro de interpretação na música brasileira. Onde saber cantar vai voltar à moda.

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