domingo, 14 de dezembro de 2008

Proposta indecente

Quando recebi um e-mail mostrando como a Vale do Rio Doce tratava os seus funcionários, transportados como se fossem gado em trens de carga para os locais de extração do minério, fiquei com o pé atrás em relação à empresa. E até tirei algum investimento que tinha nela.
A Vale virou símbolo do sucesso das privatizações. Sempre está entre as ações mais negociadas da bolsa. No ano passado, o fundo de ações dessa companhia chegou a render quase 80%. Pois bastaram seis meses de crise para a mineradora mostrar para todo o Brasil, com destaque (não apenas em e-mail) o que pensa sobre os seus funcionários.
Foi a primeira, entre as grandes companhias, a anunciar demissões e hoje está nas páginas da internete: seu presidente quer que o governo reduza os direitos trabalhistas (temporariamente?!) enquanto durar essa crise. Não fosse pelos próprios funcionários e acionistas, caberia um boicote internacional à companhia. Por que empresas como a Vivo e Natura, poucas, é verdade, continuam crescendo mesmo com a crise, e a Vale, de lucros astronômicos em anos seguidos, não consegue suportar seis meses de retração no consumo?
Depois que o ex-presidente da Nasdaq, bolsa dos EUA, foi preso por fraude no gerenciamento de um fundo de investimentos, a resposta que o governo brasileiro deveria dar à chorosa companhia, era fazer uma investigação cuidadosa na sua administração, nos seus investimentos. Principalmente nos do presidente. Porque fazer-se a Lula, ex-líder sindical, um pedido dessa natureza, como se ele fosse um dos generais da ditadura militar, é quase uma proposta indecente.

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