Para responder a Cainã
Hoje vou "comentar um comentário" de uma figura espertíssima, Cainã, tão esperto que não quis se tornar funcionário público. Cainã me perguntou se, no texto "Para não falar de baianos", quando eu digo que Lula era contra a reeleição, e se reelegeu, era um elogio. Respondi a ele, mas quero comentar (blog é legal. A gente fala o que quer).
Cumprir normas não é muito habitual. Em qualquer lugar do planeta. No Brasil, já é um abuso. Houve muitas questões sobre as quais o PT, enquanto oposição, era contra. No poder, tornou-se a favor. Em relação ao presidente, lembro-me de duas (houve outras): a reforma da previdência social, que resultou na saída de petistas históricos do partido, e a reeleição. A reforma da previdência foi aprovada no governo Lula, como uma de suas primeiras medidas. A reeleição, não.
Daí porque, lembrei no texto, que Luís Inácio era contra, mas se reelegeu. Foi contraditório, porém ele cumpriu a lei. Gosto de pessoas que cumprem a lei. Ainda mais no Brasil, onde as leis são pouco respeitadas e costumam ser alteradas de acordo com os interesses de quem as aplica.
Lula poderia não ter se candidatado - se ele tivesse feito do seu segundo mandato um festival de horrores, eu estaria aqui descendo a madeira! O segundo foi bem melhor que o primeiro (com as ressalvas já feitas no texto "Para não falar de baianos"). Aí, fica difícil criticá-lo. Ele cumpriu a lei e trabalhou pelo povo, não se candidatou apenas para evitar que José Serra, por exemplo, chegasse ao poder (um dos motivos para a reeleição de FHC foi evitar que Lula se elegesse; com o segundo mandato FHC praticamente entregou-lhe o governo).
Pela primeira vez na redemocratização do país eu até gostaria que o presidente não cumprisse a lei - ficasse uns...16 anos! Talvez aí não fosse Lula, porque, não sei como, esse ex-habitante de Garanhuns gosta das leis. Com alguns deslizes ele as vai cumprindo. E é incrível notar como o exemplo acaba influenciando as pessoas.
A violência tem aumentado no Brasil, a ladroagem também; porém, no dia-a-dia, ser desonesto está deixando de ser legal. Nos últimos meses, em três ocasiões, eu me esqueci de um objeto em algum lugar. Um desses objetos era um celular. Nas três ocasiões, os objetos foram devolvidos. Até o celular. Por um segurança do Banco do Brasil.
Pode ser que chegue o dia em que, a exemplo da inflação de 80% ao mês, não ter um objeto devolvido cause espanto aos brasileiros. E o governo Lula terá valido a pena. A um preço: cumprir a lei e encerrar os únicos mandatos, na história recente desse país, onde o povo esteve na agenda do presidente (ah, fica uns 16 aninhos...).

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial