terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Batalha equilibrada

Um blog de Salvador divulgou uma pesquisa de intenções de voto para a presidência da república. Surpreendentemente, Dilma Roussef aparecia com 32% das intenções de voto, contra 42% de José Serra. Até pouco tempo atrás, Dilma não chegava aos 10%. Parece que o blog se arrependeu de ter divulgado a pesquisa, porque, no mesmo dia, mudou o enfoque da matéria, dizendo que, em algumas regiões, Dilma não chega nem a 10% (só não diz que "regiões" são essas).
Como diz o jornalista Paulo Henrique Amorim, editor de uma das melhores páginas da internete, o PIG (Partido da Impresa Golpista) quer, de todo modo, empossar José Serra. E o PIG tem ramificações em todo o país. Até hoje não entendo como alguém, em sã consciência, pode querer a volta do PSDB à presidência da república. Se quisessem empossar Pedro Simon, do PMDB, por exemplo, eu até não estranharia. É verdade que o PMDB já esteve à frente da presidência, com José Sarney (e foi um desastre), mas Sarney ingressou no partido por força das circunstâncias, porque o mandato era de Tancredo Neves, do PMDB.
O governo Lula, do PT, não é nenhum mar de rosas. Há muitas falhas na educação, uma lentidão na distribuição de renda, e muito descaso com os aposentados. Além do que, o seu governo não consegue "enquadrar" as empresas. Agora mesmo, aprovou-se uma legislação referente aos SACs (serviço de atendimento ao consumidor) das empresas que não está sendo cumprida. Mas querer-se uma volta ao passado, ao tempo de empréstimos exorbitantes, de apagão elétrico, mau uso dos recursos públicos, aumentos abusivos do gás e da gasolina, mudanças na constituição para beneficiar interesses de grupos políticos, é realmente incompreensível.
Quando olho para trás e vejo que no Brasil já houve uma inflação de 80% ao mês (José Sarney), que se seqüestrou o dinheiro da população (Collor de Mello), se promoveu escândalo carnavalesco com modelo sem calcinha (Itamar Franco), apagão elétrico com a conta do apagão enviada para o consumidor (Fernando Henrique), parece tudo tão distante...e tão absurdo.
O crescimento de Dilma parece reflexo do crescimento da popularidade de Lula. Pouco sabemos sobre a ministra, pessoa discreta, que fez um excelente trabalho à frente do ministério de Minas e Energia e, atualmente, à frente da Casa Civil. A oposição já tentou de todas as maneiras "pegá-la". Tentou, tentou, e a ministra saiu-se muito bem em todas as investidas. Parece ser uma pessoa séria, correta, idônea (embora esses adjetivos sejam sempre perigosos num país de ladrões como o Brasil).
O crescimento de sua candidatura é uma boa notícia. Sou a favor da alternância de poder. Acredito que só assim é que se pode chamar o país de democrata. Mas não sou a favor da alternância pela alternância. Se essa alternância representa uma volta a tudo o que de podre o país já viveu, melhor ficar-se como está.
Em muitos países foram necessários anos, décadas, para que a mentalidade da população e de seus governantes mudasse. O PSDB, apesar de todos os erros, começou essa mudança ao levar adiante um plano econômico, depois de tantos realizados apenas por motivos eleitoreiros; ao tentar ficar mais alguns anos no poder, além do que se previa a constituição, para evitar a chegada do PT à presidência, FHC selou a sua própria sorte e um segundo mandato desastroso para o Brasil.
O PT promoveu novas mudanças. Redescobriu o Brasil, e o lançou no mapa mundial. Não somos mais apenas o país do futebol, somos também do aço, do minério de ferro, petróleo, etanol. Ainda somos o país do analfabetismo, violência, da justiça lenta e privilégio para muitos. Nenhum governante leva um país a evoluir se a população também não quiser. A população também precisa querer evoluir, melhorar, crescer, se informar. No nordeste, principalmente, ainda há muita gente que não quer - continua esperando do governo proveja o seu sustento.
Se nas pesquisas anteriores parecia que o PIG iria vencer, agora parece que a batalha está mais equilibrada. Quase dois anos ainda estão pela frente. Tempos não tão fáceis para o governo Lula, diante da desaceleração mundial; tempo bastante para se trabalhar um sucessor, ou sucessora. Acredito que um país que levou 12 anos para eleger o único presidente da sua história recente que com seis anos de mandato aumentou a sua popularidade, ao invés de diminuí-la, não vai querer perder mais quatro, cinco ou oito anos (a depender do que for aprovado pela nova legislação eleitoral). Vai saber escolher.

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