segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Parece que o mundo está a salvo

Toda vez que ouço alguém falar nessa história de crise me provoca uma reviravolta no estômago. Tenho a impressão que as mesmas leis que regulam o universo para que os planetas não se batam, regulam também a superfície da Terra, ainda que o homem esteja fazendo uma força danada para quebrar todas essas leis.
O que pensavam, afinal, os banqueiros, os donos de montadoras de automóveis, siderúrgicas, petrolíferas, etc, etc, etc? Que a humanidade ia continuar consumindo feito idiota um monte de produtos inúteis, indefinidamente, sem que alguma peça dessa engrenagem se quebrasse em algum lugar (e foi, justo, no mais capitalista dos países)?
Outro dia fiquei horrorizada quando, ao sair de um carro de uma amiga, fui tentar fechar o vidro e ela me informou que não precisava. Ao bater a porta o vidro se fechou sozinho. Que lindo! Acaso alguém pensa que toda essa tecnologia é gratuita? Cada vidrinho que se fecha sem precisar da força humana tem um custo, esse custo não é só o consumidor quem paga, mas o planeta Terra também.
Acaso o aço vem do espaço, ou o cimento? Tudo o que se contrói advém do planeta. Fala-se muito em aquecimento global, em devastação da Amazônia, joga-se a culpa nos madeireiros e fazendeiros (no caso da Amazônia); nas fábricas poluidoras (no caso do aquecimento global). É a tal história do traficante que é tratado como bandido, enquanto o usuário é visto como "doente".
Cada consumidor que troca o celular uma vez por ano, o carro a cada dois, as roupas a seis meses, e outros ítens que considera descartáveis, está contribuindo para a destruição do planeta. A indústria chegou a um nível tal de futilidade, e de super produção, que não havia como não estourar.
Quando ouço alguém falando sobre crise, penso que talvez estejamos começando a salvar o planeta. Ou não. Por que o homem é um ser tão perverso que é capaz de reinventar o capitalismo, quantas vezes julgar necessário, só para continuar exercitando os seus instintos destrutivos.
Décadas atrás havia no mundo poucos milionários. Há cada ano que passa, mais seres endinheirados vão surgindo. E o dinheiro não vem das estrelas. Vem da Terra. Qual é o sentido em se pagar R$ 1 milhão, mensalmente, para um jogador colocar algumas vezes por mês uma bola dentro da rede? E esse jogador, com todo esse dinheiro, vai precisar que a indústria crie peças para que ele gaste a sua fortuna. Ninguém ganha dinheiro para deixá-lo guardado em banco.
Os números da economia se tornaram tão gigantescos que, quando o rombo aconteceu, os números também foram gigantescos. Porém, mais, muito mais gigantescos têm sido os números da devastação que a super produção das indústrias promove contra o planeta. Eles são, apenas, bem menos divulgados, para que a "febre" de consumo não se acabe. Será que acabou?

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