sábado, 15 de novembro de 2008

Preconceito...huumm


Certa época em que trabalhava num jornal de Salvador, um jornalista vendo a minha grande amizade com um homossexual me perguntou se eu gostava de homossexuais. A resposta que me ocorreu, prontamente, foi: "Não gosto de todo homossexual, como também não gosto de todo heterossexual".
Detesto generalizações. Julgar as pessoas em função delas é uma prova de completa ignorância. Nunca vou defender um negro, nem um branco, que seja bandido; nunca vou achar legal um homossexual nem um heterossexual que seja mau caráter; não vou aceitar um milionário ou um mendigo que seja arrogante. Julgar as pessoas pelos rótulos é tão idiota quanto criar rótulos para julgar as pessoas.
Meu pai detestava televisão, até nos proibia, quando crianças, de assisti-la. Sábio pai, eu tive. A televisão, e a retirada de matérias como filosofia do curriculum escolar, transformaram o ser humano em gado, em ser que não pensa, que só faz seguir a boiada. A TV (com a ajuda do cinema) popularizou o termo afro-descendente, inspirado, é claro, na realidade dos Estados Unidos. Não há termo mais preconceituoso que esse, porque mostra que os negros não aceitam a sua própria cor (o que é um termo errado, pois preto é ausência de luz; branco, é a incidência total de luz - mas, por favor, os vigilantes de plantão não achem que isso é preconceito, pois é física).
Outro termo, também inspirado no inglês, é "gay", que reflete o mesmo preconceito. Parece que ser "gay" pesa menos do que ser homossexual. Ora, ora, vamos parar de tanta hipocrisia e assumir, cada um, o que somos. Achar que só homossexuais, negros, pessoas de baixo poder aquisitivo, é que sofrem preconceitos é muito tolo. Sou mulher e, quantas vezes, sofri preconceitos! E os idosos, os deficientes físicos, os feios, os bonitos, os burros, os inteligentes...?
Enquanto nos atemos a essas polêmicas e criamos novas palavras para os mesmos rótulos, o STF libera pessoas com processo judicial para serem candidatos a cargos eletivos (e uma mulher, presa, é eleita); a OAB está para julgar um pedido de concessão de autorização para advogar a Pimenta Neves (réu confesso da morte de sua namorada, julgado, condenado e em liberdade) e adolescentes de 16 anos põem seus votos nas urnas, mas não podem ser condenados por seus crimes (podem apenas passar alguns anos na FEBEM).
Precisamos voltar a pensar.

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